ANÁLISE DE FALHAS EM MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS
Em uma controvérsia técnica, afirmar que uma peça apresentou defeito, que houve erro de manutenção ou que a máquina foi operada inadequadamente é diferente de demonstrar tecnicamente como a falha aconteceu.
Considere a quebra de uma engrenagem em uma transmissão. Uma das partes pode atribuir o dano ao componente. A outra pode apontar deficiência de lubrificação, contaminação, montagem ou condições de operação. Para avaliar essas versões, a prova técnica pode assumir papel relevante na arbitragem.
Nenhuma evidência deveria ser analisada isoladamente
Componentes danificados, características de fratura e desgaste, fotografias, medições, amostras de óleo, filtros, registros de manutenção, parâmetros operacionais, alarmes e dados eletrônicos podem ajudar a reconstruir a ocorrência.
O valor de cada elemento depende de sua relação com os demais. Uma engrenagem quebrada demonstra onde determinado dano se manifestou, mas não necessariamente onde sua causa começou. Da mesma forma, um código registrado pelo sistema eletrônico indica uma condição detectada pela máquina, mas pode não identificar diretamente aquilo que originou o problema.
Por isso, a prova técnica precisa ser interpretada dentro de uma sequência de causa e efeito. Na arbitragem, esses elementos podem ajudar a confirmar ou afastar alegações, esclarecer pontos controvertidos e fornecer uma base técnica para a decisão.
Quando evidências importantes não foram preservadas, também pode ser necessário reconhecer as limitações que essa ausência impõe à análise.
Uma afirmação apresenta uma versão. A prova técnica procura demonstrar quais versões conseguem sobreviver ao confronto com as evidências.
Em resumo: a prova técnica pode ser decisiva quando a solução de uma arbitragem depende da causa de uma falha. Componentes, registros, medições e dados precisam ser analisados em conjunto e relacionados ao mecanismo da ocorrência.
