ANÁLISE DE FALHAS EM MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS

Quando uma discussão envolvendo máquinas e equipamentos chega ao Poder Judiciário e depende de conhecimento especializado, podem surgir duas figuras importantes: o perito judicial e o assistente técnico. Embora ambos utilizem conhecimento de Engenharia, suas funções são diferentes.

O perito é nomeado pelo juiz para examinar as questões técnicas relevantes ao processo e apresentar suas conclusões.

O assistente técnico é indicado pela parte e pode acompanhar o desenvolvimento da prova, analisar documentos, participar das diligências quando cabível, formular observações técnicas e avaliar as conclusões apresentadas na perícia.

Assistência técnica não deveria significar defender uma conclusão pronta

Imagine uma discussão sobre a quebra de um eixo em uma máquina. A empresa envolvida pode acreditar inicialmente que houve defeito de material.

O assistente técnico deve avaliar essa hipótese, mas também precisa considerar outras possibilidades compatíveis com as evidências: fadiga, sobrecarga, desalinhamento, montagem, concentração de tensões, lubrificação ou condições operacionais.

Se os elementos técnicos contrariarem a hipótese inicial da própria parte que o indicou, isso também precisa ser considerado. Essa postura fortalece o trabalho técnico.

A participação do assistente desde as etapas iniciais também pode ser importante para identificar documentos relevantes, elaborar quesitos e acompanhar inspeções, medições ou análise de componentes.

Em falhas mecânicas, muitas evidências são físicas e podem sofrer alterações durante desmontagens e reparos. Por isso, compreender o problema técnico antes da realização da perícia pode fazer diferença na qualidade da prova produzida.

O perito auxilia o Juízo nas questões técnicas. O assistente acompanha a prova sob a perspectiva da parte, mas a Engenharia continua exigindo compromisso com as evidências.

Em resumo: perito judicial e assistente técnico possuem funções distintas. A assistência técnica qualificada não consiste apenas em defender uma versão, mas em compreender a prova, formular questões relevantes e avaliar tecnicamente as conclusões.