ANÁLISE DE FALHAS EM MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS

Uma máquina pode falhar por diferentes razões. Determinar quem responde pelo prejuízo antes de compreender tecnicamente o ocorrido significa inverter a ordem da análise.

Falhas podem estar relacionadas ao projeto, material, fabricação, montagem, manutenção, operação, ambiente de trabalho ou intervenções realizadas anteriormente.

Também podem resultar da combinação de vários fatores.

Por isso, encontrar um componente danificado não significa, automaticamente, ter encontrado a causa.

Existe uma sequência lógica

Uma investigação tecnicamente estruturada procura inicialmente identificar o dano e compreender seu mecanismo.

Depois, analisa as possíveis causas e os fatores que contribuíram para que a falha acontecesse.

Somente então existem elementos para discutir eventuais responsabilidades.

Considere a quebra prematura de um comando final.

Uma engrenagem fraturada pode levantar suspeitas sobre o próprio componente. Entretanto, a investigação pode revelar deficiência de lubrificação, contaminação, desalinhamento, condições de montagem, sobrecarga ou outro fator capaz de explicar o dano.

A conclusão também pode demonstrar que mais de uma condição participou do evento.

Esse método é especialmente importante quando existe conflito entre cliente, oficina, fabricante, fornecedor ou locadora.

Se a investigação começar com a obrigação de confirmar a versão de uma das partes, perde-se justamente aquilo que deveria caracterizar uma análise técnica: independência.

A Engenharia deve demonstrar o que as evidências permitem concluir.

A responsabilidade, quando existente, será uma consequência dessa compreensão técnica associada às obrigações aplicáveis ao caso.

Primeiro determinamos como e por que a falha ocorreu. Depois discutimos quem deve responder pelas suas consequências.

Em resumo: dano, mecanismo da falha, causas e fatores contribuintes devem ser analisados antes da atribuição de responsabilidades. Responsabilidade é consequência da investigação, não sua premissa.